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Soja: pela 1ª vez no Norte de MT, encontro da Anec traz dados de exportação e riscos

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Neste momento, a grande preocupação do setor é a guerra comercial entre os EUA e China

Mato Grosso deverá colher 10 milhões de toneladas a menos em relação à safra passada. O fator climático é o principal responsável por essa queda, mas esse não será o único obstáculo dos produtores no estado. A perspectiva do fim da Lei Kandir, o tabelamento do frete e o aumento de impostos, também trazem preocupações ao homem do campo.  O 11º Encontro de Previsão da Safra, tratou desses e outros temas a serem superados pelo agricultor na noite dessa quarta-feira (27), em Sorriso (400 km de Cuiabá).


“Nós já presenciamos este cenário em 2018 com a exportação recorde do Brasil favorecida pela guerra entre os países, já que a soja americana não podia entrar na China, sem pagar uma tarifa de 25% de exportação. Os chineses são os maiores consumidores internacionais e só tinham como alternativa para abastecimento o Brasil e Argentina – que inclusive teve uma quebra de safra no ano passado. Agora estamos na eminência de um acordo entre China e EUA, fazendo com que o estoque americano que sobrou volte para o mercado, talvez até em condições favorecidas, já que as negociações estão em curso”, alertou. 

De acordo com o consultor de exportação, André Pessoa, o fator mais relevante para esta safra é a guerra comercial entre Estados Unidos e China.
O consultor lembra que, essa dificuldade adicional, chega em um momento no qual esse tipo de competição com os Americanos não é normal. Enquanto a Argentina ainda tenta se recuperar da safra passada.

Tabelamento do frete

Já sobre os impactos causados no setor por um possível tabelamento do frete, o especialista destaca que para a soja o cenário é ruim, mas para o milho pode inviabilizar a produção.

“Se tivermos a imposição de uma tabela de frete com um preço muito acima do praticado pelo mercado, podendo subir até R$ 100, e se levar em consideração que o hectare de milho produz 100 toneladas, isso eleva o custo para cerca de R$ 600, superando a rentabilidade apresentada do milho no estado e região, desincentivando a renda”, alerta.

Mercado Interno

Quanto a destinação da produção para as indústrias de etanol de milho ou de biodiesel, o que poderia ser um atrativo para o produtor, André alerta que a logística pode ser um entrave, juntamente com os altos impostos na saída do produto do estado.

“O mercado interno utiliza cerca de dois milhões de toneladas de milho, o suficiente para o abastecimento local. É um consumo muito pequeno pela quantidade de produção do milho, com isso nós vamos ter uma sobra considerável. Se existisse um meio de transporte adequado desta produção, com embarcações próprias para levar o combustível para os estados do Nordeste, ou até mesmo ferrovias, seria uma grande alternativa, mas com o transporte atual não será tão simples, isso sem falar nos 30% de ICMS cobrados logo na saída”, enfatizou.


O presidente da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), Sergio Mendes, disse que trazer o evento para Sorriso pela primeira vez é extremamente importante, já que a região é a mais produtiva em grãos do país e também é a que mais sofre com o impacto da falta de logística e fretes altíssimos.

“Temos que pensar bem a produção de Mato Grosso, porque, apesar da grande produtividade, é o estado onde se paga mais frete. Todo cuidado tem que ser tomado para que o produtor seja de alguma forma protegido. Precisamos trazer informações para que o produtor possa vender no momento certo, ter o menor custo”, destacou.

Para o agricultor Ademir Mário Zuber, a apresentação do cenário e as informações prestadas durante o evento ajudam o produtor no dia-a-dia, principalmente nas escolhas de cultivo. Ele ainda lembra que os custos de produção tem aumentado, principalmente com as novas taxações pelo governo de Mato Grosso no Agro.

“Nós trabalhamos muito de sol a sol para fazermos a diferença, mas as dificuldades estão aumentando. No fim das contas, quem vai pagar de novo a incompetência dos governantes é o trabalhador. Hoje estamos vendo que o cenário internacional não está tão positivo para o agronegócio e lá vamos nós de novo pagar a conta”, destaca.

O encontro foi promovido pela Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) e pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).


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