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Produtores rurais do Nortão contrariam dados sobre produtividade da Conab

A queda de lucros é um ponto de consenso entre produtores e Conab

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgou na manhã desta terça-feira (12) dados sobre a produtividade de grãos na safra 2018/19. Segundo o levantamento, é esperado um aumento de aproximadamente 2,5% na produção, levando em conta o soja já colhido e o milho safrinha, que deve ser colhido entre abril e junho. Porém, esse não é o cenário descrito por produtores rurais da região Norte de Mato Grosso.

“Existe uma possibilidade real da produtividade da soja cair. Ainda é cedo, mas podemos adiantar que em relação a nossa região vão existir perdas. Quanto ao milho, também é prematuro afirmar algo ”, explicou Tiago Stefanello Nogueira, presidente do Sindicato Rural de Sorriso.

O produtor rural Albino Ruiz, de Nova Ubiratã (478 Km de Cuiabá), reforça o posicionamento do presidente, pontuando ainda que fatores climáticos são os maiores responsáveis pela queda.

“Aqui no município, calculo aproximadamente 10% de diminuição, principalmente na soja. Os fatores climáticos interferiram diretamente nisso. Nós tivemos períodos muito longos com sol intenso. Se tivesse sido mais equilibrado, a colheita seria perfeita”, relatou.

Já os dados da Conab, apontam que o crescimento representa um total de aproximadamente 233,3 milhões de toneladas colhidas. A aposta se volta ao possível impulsionamento que o milho safrinha pode trazer. O incremento pode chegar a 23,6% sobre o volume colhido na safra 2017/18. Assim como o algodão, que deve ter produção 28,4% superior ao desempenho do ano passado.

Um ponto de consenso entre produtores e Conab é sobre a queda de lucros. O órgão calcula diminuição de 1,1%, já os agricultores ainda não sabem precisar exatamente o valor.

“Devido a todos os aspectos de produção, de queda, de fatores climáticos, os lucros automaticamente caem”, concluiu Tiago Stefanello.

Outros Fatores

Em fevereiro, outro levantamento foi divulgado sobre o mesmo tema durante o 11º Encontro de Previsão da Safra, realizado em Sorriso (400 km de Cuiabá). Consultores da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) e Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) apontaram que Mato Grosso deverá colher 10 milhões de toneladas a menos em relação à safra passada.

O fator climático foi apontado como o principal responsável por essa queda, mas esse não será o único obstáculo dos produtores no estado. A perspectiva do fim da Lei Kandir, o tabelamento do frete e o aumento de impostos, também trazem preocupações ao homem do campo.

A Lei está em vigor desde 1996, garantindo a isenção de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre exportações de bens primários. Para os especialistas, a possível revogação é um retrocesso no país e significa uma ameaça ao agronegócio.

Outro agravante para a colheita de 2019, foi o aumento  firmado pelo novo tabelamento do frete, divulgado em janeiro via Diário Oficial da União. Os preços foram elaborados pela Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O aumento médio foi de 1,54%.

Na época Clayton Tessaro, produtor rural da cidade de Sorriso, lamentou o aumento e ressaltou que isso significava um efeito cascata em todos os insumos utilizados na lavoura.

“Essa questão afeta diretamente a margem de lucro do produtor, já que ela é somada a tantos outros impostos cobrados. Vale lembrar que também está impactando no preço dos fertilizantes. A margem do produtor está ficando cada vez menor e o frete acarretou um ‘achatamento’ dos preços finais”, relatou.

Para fechar o cenário desfavorável para o setor, existe uma guerra comercial entre Estados Unidos e China.

“Os chineses são os maiores consumidores internacionais e só tinham como alternativa para abastecimento o Brasil e Argentina – que inclusive teve uma quebra de safra no ano passado. Agora estamos na eminência de um acordo entre China e EUA, fazendo com que o estoque americano que sobrou volte para o mercado, talvez até em condições favorecidas, já que as negociações estão em curso”, alertou o consultor de exportação, André Pessoa.

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